Na última quarta-feira (01), por meio de uma carta, o presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM, cardeal Claudio Hummes, comunicou os passos a serem seguidos nos próximos meses para a constituição oficial do Organismo Episcopal Pan-Amazônica (OEP), conforme proposta presente no parágrafo 115 do Documento Final do Sínodo e aprovação do Papa Francisco.

 

“Começamos a fase mais significativa, pois é aquela em que podemos colocar esse amor pela Amada Amazônia em obras, inspiradas pelas palavras”, afirmou o Cardeal na carta que foi enviada a todas as entidades envolvidas na criação do Organismo Episcopal da Amazônia – OEP. Na comunicação, Hummes apresenta os passos seguintes para iniciar a instituição, cuja necessidade se tornou visível durante o Sínodo para a Amazônia, celebrado em outubro passado em Roma.

A constituição do OEP aparece especificamente no Documento Final do Sínodo, especificamente no parágrafo de número 115, onde afirma: “Trata-se de um organismo episcopal permanente e representativo que promova a sinodalidade na região amazônica, articulado com o CELAM, com estrutura própria, em uma organização simples e também articulada com a REPAM. Deste modo, pode ser o canal eficaz para assumir, a partir do território da Igreja latino-americana e caribenha, muitas das propostas que surgiram neste Sínodo. Seria o nexo que articula redes e iniciativas eclesiais e socioambientais em nível continental e internacional”.

De acordo com a carta, serão três as etapas iniciais do processo de constituição do Organismo Episcopal Pan-Amazônico que, por causa da situação mundial de pandemia, acontecerão de forma virtual. Durante o mês de abril será preparada a Assembleia com a ajuda da REPAM e em diálogo com a Presidência do CELAM. Ainda em abril e maio, será mantida a comunicação com a Secretaria Geral do Sínodo, em Roma, e os membros do Conselho Pós-Sinodal, para compartilhar os passos que estarão sendo dados no processo. A proposta, segundo a carta, é que em maio ou junho ocorra a Assembeia constituinte do OEP para revisar e aprovar o documento de constituição, eleger um órgão colegiado e uma secretaria e, ainda, preparar uma Assembleia ampliada com uma grande perspectiva eclesial.

Segundo o comunicado do Cardeal, a Assembléia Constituinte será composta por membros com voz e voto, que serão um bispo da Amazônia de cada país, exceto o Brasil, que terá dois por sua maior extensão, além da presidência da REPAM e do CELAM (Card. Claudio Hummes, Card. Barreto e Mons. Cabrejos). Compõem a assembleia, mas apenas com direito a voz: os presidentes da CÁRITAS ALC e da CLAR, o secretário executivo da REPAM, quatro membros das instâncias do Vaticano (Card. Baldisseri, Card. Ouellet, Card. Tagle, Card. Czerny), por sua relação com esta iniciativa aprovada no Documento Final do Sínodo, mais três representantes dos povos originais delegados ao Conselho Pós-Sínodal e dois especialistas (um teólogo da sinodalidade e um jurista canônico).

 

Confira um pequena entrevista com o Cardeal Cláudio Hummes:

Frente a esta situação delicada de pandemia, por que é importante para a REPAM e a Igreja na Amazônia seguir impulsionando o processo Sinodal no território?

Cardeal Cláudio Hummes: Tudo indica que demorará meses até voltarmos a poder nos reunir em encontros e assembleias presenciais. Por ora, só nos comunicamos via internet e outros meios de comunicação social. Porém, o processo de aplicação das orientações da Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia” e do Documento Final do Sínodo no território não deve parar. Caso contrário, corre-se o risco de fragilizar o processo e diminuir as esperanças das populações do território. Neste contexto, a constituição do Organismo Episcopal Eclesial Pan-Amazônico, previsto pelo Sínodo, é urgente porque ele impulsionará e coordenará no território a aplicação do Sínodo. Estamos agora iniciando esse processo de constituição deste organismo episcopal.

 

Temos notícias de que a REPAM, em diálogo com as instâncias eclesiais regionais e com o Vaticano, iniciará um caminho para a constituição do novo Organismo Episcopal Eclesial Amazônico, conforme afirma no número 115 do Documento Final. Poderia nos dizer por que isso é importante e que passos estão sendo dados?

Cardeal Cláudio Hummes: De fato, estamos iniciando esse processo de constituição deste Organismo em consonância e apoio tanto do Vaticano como das instâncias eclesiais regionais, por exemplo as conferências episcopais nacionais dos países envolvidos, a CLAR, o secretariado Latino-Americano das Cáritas e outros interessados. Estamos iniciando por solicitar que essas conferências episcopais citadas, após consultar os seus bispos amazônicos, indiquem, cada uma respectivamente, um membro do seu episcopado amazônico para compor o núcleo episcopal deste organismo. O Brasil, pela magnitude de sua região amazônica, indicará dois. A proposta é que este organismo inclua também outros membros que não são bispos para que tenha uma característica mais eclesial sinodal.

 

Em relação ao serviço e função deste Organismo Episcopal Eclesial Pan-Amazônico, qual é a sua expectativa para os próximos anos quanto ao seu serviço para o processo Sinodal e como servirá à Igreja universal e ao itinerário do Papa Francisco?

Cardeal Cláudio Hummes: Espero que este Organismo não seja apenas uma formalidade, um organismo abstrato, mas seja muito envolvido com as pessoas e as comunidades do território, seja comunidades eclesiais, seja comunidades da população local, como as comunidades indígenas. Deve ser um organismo dinâmico, próximo ao povo, que caminha com o povo, escute o povo, e com o povo decida as práticas de construir esses novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma Ecologia Integral. Deste modo, certamente contribuirá com os sonhos do papa Francisco, o sonho de uma Igreja mais sinodal, missionária, misericordiosa, pobre com os pobres e em saída para as periferias. O Sínodo para a Amazônia foi histórico, nenhum sínodo anterior foi tão sinodal e reformador como esse.

 

Por: Equipe de Comunicação REPAM

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