Conselho Indígena de Roraima – CIR, organização indígena criada para defender os direitos e interesses dos povos indígenas de Roraima vem manifestar sobre os comentários preconceituosos, discriminatórios e difamatórios circulados nas redes sociais referente à matéria publicada pela Folha de São Paulo, nesta terça-feira, 30 de janeiro de 2018, com o título “Índios em Roraima criam gado em fazendas ´herdadas´ de ruralistas”.

Primeiramente, as fazendas, principais marcas de invasão das terras indígenas em Roraima, não foram ´herdadas´ pelos índios que hoje utilizam para o manejo de gado, e sim, reocupadas depois de anos de invasão. O espaço onde as fazendas foram construídas, sempre foram de ocupação tradicional dos povos indígenas e não de ruralistas.

Por outro lado, as fazendas e as propriedades que hoje estão na gestão dos povos indígenas são de reintegração de posse, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu de acordo com a Constituição Federal Brasileira de 1988, o direito ao usufruto exclusivo da terra aos povos indígenas, especialmente, aos povos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, principal alvo de ataque, após 19 anos de demarcação, homologada em 2005 pela Presidência da República e reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2009, representa para os povos indígenas de Roraima, o maior bem, considerada como mãe terra, que acolhe, alimenta e fortalece os povos, animais, os recursos naturais e toda a sua tradicionalidade e espiritualidade.

Para melhor esclarecimento e informação, o dossiê “Raposa Serra do Sol: um projeto de vida para os povos indígenas da Amazônia e do Brasil”, publicado em outubro de 2017, mostra o avanço e as conquistas dos povos indígenas após a homologação. Uma conquista, que foi resultado de uma árdua luta frente a grandes interesses políticos e econômicos do estado e do Brasil.

Portanto, a homologação integral da Raposa Serra do Sol, assim como outras terras indígenas, entre elas, a Terra Indígena São Marcos, representam não apenas uma vitória para os povos indígenas de Roraima, mas também marcos histórico quando o direito coletivo prevaleceu sobre os interesses particulares e econômicos do País.

Enquanto os olhares de ataque, preconceito, difamação e discriminação se voltam para os povos indígenas que vivem em seus territórios dia a dia restabelecendo-se da destruição, da poluição e da degradação deixada pelos fazendeiros, garimpeiros e outros invasores, o País, se afunda na crise política e corrupção desenfreada provocada e comandada pela classe dominante deste Estado e Brasil, políticos, latifundiários e ruralistas que defendem unicamente o seu interesse individual. Isso sim é um atraso para o desenvolvimento do Estado e do país, e não a demarcação das terras indígenas como tem sido insistentemente propagado.

Por fim, os povos indígenas de Roraima não passam fome, muito menos vivem na miséria e no lixão. Pelo contrário, vivem em seus territórios trabalhando a sua sustentabilidade, valorizando os costumes tradicionais, fortalecendo a sua autonomia, organização social, política e cultural, fatos que incomodam uma sociedade que ainda não aprendeu a respeitar, muito menos a valorizar os povos originários desse País e continuam a propagar comentários de ódio e ignorância contra os povos e suas comunidades indígenas.

“A luta continua- Unidos venceremos”

Boa Vista, 01 de fevereiro de 2018.

Conselho Indígena de Roraima – CIR 

Confira: http://www.cir.org.br/site/?p=544

Mayra Wapichana

Jornalista Colaboradora/ CIR
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