Teatro Amazonas

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Acorda meu filho, já são três da manhã e nós precisamos colher todo o leite das irmãs árvores, pois a vila está cheia de gente de fora. O patrão quer que demos conta do serviço.

Acorda meu filho, que já são três e trinta da manhã, precisamos fazer muita borracha, fiquei sabendo que os homens brancos querem levantar uma grande construção. O patrão quer que demos conta do serviço.

Acorda meu filho, que já são quatro da manhã, descobri que os moços bonitos vieram de longe, vão levantar um prédio com muito luxo e beleza. O patrão quer que demos contado do serviço.

Acorda meu filho, já são quatro e trinta da manhã, peguem todo o material e devemos trazer a maior quantidade que pudermos; as colunas já estão sendo erguidas. O patrão quer que demos conta do serviço.

Acorda meu filho, já são cinco da manhã, passaram-se quase dois meses e já está tudo quase pronto. Precisamos de mais borracha, os homens de fora querem o pagamento e o que temos ainda não lhes serve. O patrão quer que demos conta do serviço.

Acorda meu filho, já são cinco e trinta da manha, hoje é a inauguração da Obra mais bonita que já vimos. Arrume-se e leve sua irmã, pois ela vai encontrar com o seu noivo que lá deve estar. O patrão quer que demos conta do serviço.

Acorda meu filho, já são seis horas. Sua irmã voltou. O homem branco não a quis em casamento e lhe deixou um filho, precisamos voltar para a seringa, pois o curumim precisa de alimento. O patrão quer que demos conta do serviço.

Nilo Praxedes

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