O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu. Ele me enviou para/ anunciar a Boa-Nova aos pobres: para proclamar aos cativos a liberdade e aos cegos a recuperação da vista, para pôr os oprimidos em liberdade, para proclamar um ano favorável da parte do Senhor” (Lc 4,18-19).

 

Nós, comunicadoras e comunicadores da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), participamos do Curso de Comunicação para a Transformação Social, realizado nas Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília (DF), de 06 a 10 de junho de 2017. Somos representantes dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que compõem a Amazônia Legal: Norte 1 (Amazonas e Roraima), Norte 2 (Pará e Amapá), Norte 3 (Tocantins), Noroeste (Sul do Amazonas, Rondônia e Acre), Oeste 2 (Mato Grosso), Nordeste 5 (Maranhão), Comissão Episcopal para a Amazônia e Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, refletimos sobre: o apelo à ecologia integral iluminados pela  Laudato Sì; a prática do modelo de desenvolvimento socioambiental como superação do modelo de desenvolvimento predatório; as práticas comunicativas como garantia à cidadania e ao direito à informação; o processo de construção das notícias; a relação da Igreja com a comunicação e a espiritualidade do comunicador.

 

Participaram conosco entidades parceiras: Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Rede Marista, Rede de Notícias da Amazônia (RNA), Irmãs Paulinas, Signis Brasil, Instituto Comradio, Instituto Padre Ezequiel Ramin (IPER), pesquisadores da área de Comunicação e representantes do Comitê Ampliado da REPAM-Brasil. Também partilharam conosco suas experiências na área de comunicação organismos e entidades vinculadas a Igreja que somam ao trabalho da REPAM – Brasil: Caritas Brasil, Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), POM e Assessoria de Imprensa da CNBB.

Motivadas e motivados pelas provocações deste curso e novamente iluminadas e iluminados pelos ensinamentos da Laudato Sí, assumimos os seguintes compromissos:

  • Praticar uma comunicação que apresente uma imagem mais exata e fiel da Amazônia Legal, para si mesma e para as demais regiões do Brasil, à luz da Laudato Sí;
  • Promover a formação, espiritualidade e articulação de comunicadores comprometidos com a realidade dos povos da Amazônia;
  • Utilizar os meios de comunicação das prelazias, dioceses, paróquias e organismos da Igreja Católica na Amazônia Legal para veicular ao grande público, não apenas acontecimentos e atividades da vida eclesial, mas, também, notícias dos povos da Amazônia à luz do pensamento cristão;
  • Escutar, dar visibilidade e voz aos povos indígenas e aos grupos em situação de vulnerabilidade social da Amazônia Legal, para que suas causas sejam conhecidas e debatidas no contexto amazônico, nacional e internacional, garantindo assim, a comunicação como um direito e não apenas como um instrumento;
  • Difundir a perspectiva do desenvolvimento socioambiental nas diversas realidades da região amazônica;
  • Estabelecer parcerias com os meios de comunicação populares, comunitários, alternativos, com o intuito de compartilhar conteúdos e produções de interesse da região amazônica;
  • Buscar o fortalecimento dos meios populares de comunicação para que aconteça o rompimento do silêncio dos povos da floresta, das águas, do campo e da cidade em suas diferentes identidades socioculturais;
  • Denunciar conflitos, violações de direitos e injustiças sociais e ambientais para favorecer o projeto do Bem-Viver que promove a equidade econômica, o equilíbrio ambiental e o acesso aos bens comuns para todos;
  • Promover uma cultura comunicacional marcada pela esperança e a confiança na construção do Reino de Deus, em que prevaleça a justiça, a paz, o amor e o cuidado com a casa comum;
  • Repassar às nossas Igrejas locais o que aprendemos, refletimos, rezamos e socializamos nesses de curso, como marco inicial do nosso compromisso com uma comunicação para a transformação social.

Sob a intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia e modelo de comunicadora do Pai, nos comprometemos a desenvolver uma cultura de comunicação que seja democrática com base em valores humanos e cristãos valorizando e fortalecendo as lideranças comunitárias e que suscite processos participativos de transformação social com incidência na elaboração de políticas públicas para Amazônia Legal.

 

Louvado sejais!

 

Brasília, 10 de junho de 2017.

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